segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Resgatando o Rock: Jason Kertson and The Immortals


Jason Kertson
Em uma mistura de conversa de bar com garimpadas virtuais, eis que dou de cara com algo surpreendente e que, há algum tempo, achei que não veria mais: um cantor adolescente... totalmente à parte da cultura teen atual! Nada de emo, nada de happy rock (isso é um movimento nacional, mas tudo bem), nada disso. O nome desse garoto é Jason Kertson, vocalista de uma banda chamada The Immortals.
O primeiro vídeo que vi do Jason, no Youtube, foi um cover do Pearl Jam. Cantou Just Breathe. Ali, eu vi que o garoto tinha talento; tocava bem e tinha um timbre de voz muito bom. Pensei “ok, ele está cantando essa música porque está na mídia lá nos EUA. Tudo bem”, mas estava enganado. Fuçando na internet não foi difícil achar outros vídeos dele cantando outros covers e, além disso, descobrir que ele tem uma banda. Ouvindo o som dessa banda agradeci aos Deuses da música por poder ainda ter fé na nova geração de músicos! Um som nitidamente influenciado pelo grunge dos anos 90 (por sinal, The Immortals é de Seattle), um instrumental que lembra bastante o Bush em seus tempos áureos e a voz de Jason que, se só ouvida, não tem como ser associada a uma pessoa de 14 anos de idade apenas. E ao que parece, as músicas da banda são compostas pelo próprio Jason.
Analisando o volume de visitas online que eles têm em comparação aos artistas de internet “da modinha” (o primeiro é bem menor), fico só torcendo para que não apareça nenhum produtor com propostas milionárias interessado na voz de Jason, mas não no seu estilo. Espero que queiram promovê-lo com o som que faz, com a linha que segue, para, quem sabe, ser a salvação da nova geração de músicos e voltarmos a ter rock de qualidade dominando as mídias. Encerro com a música Scream. Sucesso a Jason Kertson and The Immortals!


Resgatando o Rock é falar de música boa, de rock de verdade, de bandas que deveriam ser os ídolos dessa geração. Aproveito para falar a quem toca, tem banda, está na pista produzindo o melhor do rock... manda o seu link, seu material, seu perfil em sites de relacionamento, ou o que quer que seja, para mim que ajudo a divulgar aqui pelo blog, nos próximos Resgatando o Rock.

E-mail do Out of the Box: contato.ootboxx@gmail.com


domingo, 16 de outubro de 2011

Rock in Rio: top 10 de shows



Hoje encerro a série sobre o Rock in Rio 2011 fazendo um ranking do que achei serem os 10 melhores shows que aconteceram no palco Mundo. Vamos, então, do último ao primeiro colocado.

10º - Legião Urbana e convidados: foi surpreendentemente emocionante. As pessoas foram invadidas pelo sentimento saudosista e cantaram todas as músicas.Estou colocando na última posição não só por terem tido excelentes shows além do deles, mas por alguns detalhes que não gostei como a participação da Pitty (já comentei o quão ruim achei) e a repetição de músicas, que foi desnecessária. Ainda assim, merece estar no ranking.

Red Hot (Foto: Stadium Arcadium)
9º - Red Hot Chilli Peppers: coloquei entre os melhores porque a banda merece, eles são bons, tem grandes hits, mas não tive como colocá-los em melhor posição porque, como já falei, ainda estou na espera de um show deles que me faça arrepiar de verdade. Outros shows foram melhores nesse sentido.

8º - Elton John: entrou no clima “rock” do evento o tanto quanto pôde e suas músicas são inquestionavelmente boas. Foi o primeiro show do evento que fez com que o Rock in Rio fosse sentido como tal, como já falei no post sobre o dia dele. Contra a crítica, eu achei o show dele bom.

7º - Capital Inicial: foi um dos melhores shows de bandas nacionais do evento e conseguiu agitar a galera a um padrão de não ficar atrás das atrações internacionais. Montou um bom setlist, tiveram presença e atitude sem defeitos. Merecem estar entre os melhores.

Shakira (Foto: blog Hostel Bookers)
6º - Shakira: mesmo tendo estado no dia mais misturado do Rock in Rio e um dos dias menos rock do evento, ela foi a rainha do dia dela. O show foi muito bem preparado, ela estava muito natural e teve ótima performance. Foi um show que misturou espetáculo e intimidade. Tinha que estar no ranking.

5º - Skank: se o Capital esteve entre os melhores shows nacionais, o Skank fez “o” melhor show nacional. Eles estavam muito animados, passaram toda essa animação para o público, abusaram de todos os seus sucessos e, mesmo em pouco tempo, conseguiram atingir uma excelência inquestionável no show. Foi muito bom! Não tive como deixá-los em posição menor no ranking.

4º - System of a Down: desbancou o Guns no último dia e, pela estréia no Brasil, talvez possa ser considerado a grande atração do evento. Estão em quarto porque os primeiros 3 colocados foram imbatíveis, mas o show do System levou a galera a loucura! Tiveram uma atitude simples no palco e focaram a atenção no que se deve de fato, as músicas. O talento musical do grupo é muito grande e, por terem conseguido mostrar isso na íntegra, fizeram um dos melhores shows do evento. Merecem estar no ranking, e bem colocados.

James Hetfield, Metallica (Foto: Absurdinhus)
3º - Metallica: foi uma das bandas mais votadas para estar no Rock in Rio. Tem clássicos do rock na carreira. Souberam empolgar muito as pessoas. É o Metallica. Acho que não preciso justificar mais, né? Fizeram um show muito bom!

2º - Stevie Wonder: o artista mais carismático de todo o evento. Um dos setlists mais bem planejados. Um show que foi muito dinâmico, com convidados, com Stevie variando de instrumentos, puxando a participação das pessoas, arriscando cantar português. A impressão que dava era do show ter durado, sei lá, umas 4 horas. Inesquecível!

1º lugar: não há como tirar a vitória dessa banda! Foi a única classificação que eu não tive que pensar duas vezes antes de consagrar. Slipknot fez, sem dúvida, o show mais surpreendente de todo o Rock in Rio! O que mais empolgou, o que mais teve impacto visual, o que mais deixou as pessoas com cara de “não acredito!”. Não fez só o melhor show do dia em que tocaram, mas foi o melhor em termos totais! Muito bom! Tenho certeza que angariaram muitos fãs depois disso que, de repente, assim como eu, estavam lá por causa de outra banda. Ficaram muito além dos outros shows. Gostei de ter me surpreendido com eles! Fiquei esperando até o final do evento o show que desbancaria o deles, mas não houve. Merecida classificação!

Slipknot, em memorável show no Rock in Rio 2011

Devo falar, inclusive, que se fosse classificar o melhor dia do evento, o título iria para o dia do metal. E não achei que fosse dizer isso antes do evento acontecer, já que não sou fã de metal, mas fui muito bem surpreendido com isso também! E você? Concorda com o ranking? Discorda? Qual a seria a sua classificação? Comente lá! Críticas e sugestões serão bem vindas! Obrigado a todos que curtiram essa série de posts sobre o Rock in Rio 2011.

Valeu!



sábado, 15 de outubro de 2011

Rock in Rio: 7º dia – e assim acaba



Dia 02 de Outubro. O último dia do Rock in Rio 2011. No palco Sunset, a crítica geral deu destaque ao show do Marcelo Camelo; não sem razão, porque estava mais bem entrosado com a banda The Growlers do que as outras apresentações. Porém, o barato do dia neste palco para mim, pudesse eu ter acompanhado pessoalmente o Sunset, seria Mutantes e Tom Zé. Eu até assisti via internet (e à posteriori) esse show, que lamentavelmente, não foi dos melhores, posto que eles não estavam minimamente entrosados, chegando a se apresentar separados. De qualquer forma, Mutantes é sempre Mutantes, sempre nostálgico, sempre bom de se ouvir. Falo o mesmo para Tom Zé, pela originalidade do seu som. Na verdade, a idéia de juntar duas bandas/artistas por show (que foi o sistema programado para o Sunset todos os dias) foi legal, mas muitas vezes deu a impressão de que os artistas não estavam lá muito contentes com isso. Bom, o encerramento por lá foi com o Camelo e The Growlers, que o fizeram muito bem.

O palco Mundo começou o show com os Detonautas. Não é segredo que eu não sou fã deles, embora tenham até uma ou outra música boa. Não gosto da atitude do Tico Santa Cruz, acho uma rebeldia imatura demais (até para um roqueiro, do qual se costuma tolerar mais do que o normal), beirando o artificialismo, mas... sejamos justos: exagerado ou não, inconveniente ou não, os Detonautas souberam agitar o povo. Usaram uma estratégia, que, diga-se de passagem, eu não tenho nada contra, a de tocar sucessos de outros músicos para manter o clima agitado da galera, e, com isso, conseguiram manter um bom nível de show, um bom feedback do público. Uma pena que Tico não tenha levado a sério o tempo limite da banda no palco e teve que ter o som interrompido no meio do cover do Nirvana. Pitty veio em seguida e, acho que em apoio ao Tico, cantou Nirvana também. O show da Pitty não foi tão agitado, mas a diferença de empolgação não foi gritante. Ela conseguiu, ao longo da carreira, emplacar alguns hits que marcaram os jovens e adolescentes, e isso foi o que sustentou o seu show. Músicas como Anacrônico, Equalize, Pulso e Me adora fizeram o povo cantar em coro e isso meio que manteve o Status Quo que o Detonautas lançou no ar, embora eu tenha ouvido muita gente falar que a Pitty esfriou a galera. Bem, não foi exatamente isso que eu vi lá. Vi o ritmo diminuir em muitos momentos, sim, mas não foi uma esfriada em si, afinal, era o último dia de Rock in Rio.

Evanescense foi a próxima banda, e o início das atrações internacionais. Mil pessoas criticaram o show deles, afirmando ser burocrático ou parado demais para o que se esperava. Bom, eu não me importo em ir de encontro com o senso comum, e devo afirmar que, ao menos, ela demonstrou mais calor (embora não seja bem isso propriamente dito) do que Lenny Kravitz, por exemplo. Além disso, assistir ela cantar ao vivo é sempre válido, é sempre de se admirar, porque a voz da Amy Lee é quase sobrenatural! Eles tocaram seus hits e talvez não tenha sido um show muito rico pela falta de conteúdo mesmo. Eu admito que esperava que a atitude da Amy fosse mais solta, mais contagiante, mas a real não foi de decepcionar exatamente, ainda que tenha faltado um pouco de esforço em se entrosar com o público, o que ela fez pouco em comparação com outros como Stevie Wonder, Coldplay e Slipknot. Pode ser nota 7?
O grande motivo das críticas pode ter sido o que veio a seguir. System of a Down fez um show memorável! Foi muito acima dos que haviam tocado até então naquela noite. O espaço na Cidade do Rock estava muito cheio! As pessoas estavam muito agitadas! Foi o primeiro show deles no Brasil e não deixaram nada a desejar. Gostei da simplicidade da banda. Sem estereótipos e figurinos elaborados, Serj Tankian subiu ao palco trajando calça jeans e camisa social. Claro. Ele não precisava de roupas personalizadas. E mostrou isso quando abriu a boca a cantar até a última música. A variação de tons e timbres que ele usa para cantar é algo que eu não conseguia parar de ficar pasmo toda vez que ele “brincava” com isso. Chop Suey, Aerials, Kill Rock'n'Roll e Toxicity formaram, em minha opinião, o clímax do show (embora tenham sido tocadas em momentos espaçados), mas posso dizer, sem medo de errar, que o show foi muito linear: muito bom o tempo todo!

Ao final do System, já havia pessoas do lado de fora da Cidade do Rock querendo entrar a qualquer custo. E a chuva dava as caras para marcar sua presença no evento também. E o Guns entraria a seguir... assim que Axl resolvesse aparecer, claro. Tentei até o fim esperar o Guns subir ao palco. Tomei chuva, fui espremido na multidão (a essa altura, eu já estava fora de expediente há um tempo e já tinha me juntado com o restante dos fãs que lotavam a platéia do palco Mundo), mas Axl demorou demais para uma pessoa que tinha transporte marcado para ir embora, que infelizmente, era o meu caso. Na verdade, até que para o costume dele, nem atrasou tanto assim. De qualquer forma, foi possível ouvir as pessoas irritadas com a demora. Ninguém estava curtindo muito a idéia de estar debaixo de chuva esperando o Guns resolver começar a tocar. Bem, chegando em casa, consegui assistir o show do Guns via TV e pude perceber um Axl meio deslocado, pouco entrosado e até desafinando em alguns momentos. Estranhei, mas o Guns tem bala na agulha demais para fazer um show ruim. Eles montaram o maior repertório da noite e tocaram até às 05h00.

Não gostei da performance de Heaven’s Door e Patience, mas Welcome to the Jungle, por exemplo, foi legal. Ouvi depois algumas pessoas falarem que foi uma decepção, que foi horrível e tal... bem, quem esperava um Axl de bermuda colante, correndo de um lado para o outro e gritando, realmente pode ter se decepcionado, mas há que se convencer de que isso acontecia há mais de 15 anos. Não dá para querer que ela tenha o mesmo desempenho, a mesma energia, embora isso seja visto em bandas como Rolling Stones, por exemplo, não é via de regra! Então, guardadas as devidas proporções, acho que o show não foi ruim, mas poderia ter sido melhor, não pelo aspecto que citei, mas é porque realmente Axl demonstrou estar mal ensaiado. Isso, sim, poderia estar melhor. Sorte a dele, que a banda tem um nome muito forte e carregado em história, que não deixaria isso marcar um show ruim. Ponto para o repertório extenso, que mostrou boa vontade em tocar! Na balança: bom show.
Momento legal do dia: indiscutivelmente, o show do System. Aspecto bom: manteve o nível dos últimos dois dias e não teve um show ruim, o que, para um dia de encerramento de evento, é algo muito bom! Assim acabou o Rock in Rio. Como todo grande evento, houve momentos bons e ruins, mas de qualquer forma, é válido, é produtivo, é música.Vou encerrar com vídeos do Guns e System (o título do vídeo do System está errado: trata-se da música Kill Rock'n'Roll) . Ainda falta mais um post para encerrar essa série, onde farei um ranking geral dos melhores shows que aconteceram no palco Mundo. Poderia até arriscar um para o Sunset, mas como quase não acompanhei, é melhor focar no que assisti mais.
Até lá, então! Valeu!  






quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Rock in Rio: 6º dia - agitos e tietes


01 de Outubro. Penúltimo dia do Rock in Rio. Ao contrário do dia anterior, não houve tanta mistura de estilos no palco Mundo. Tudo estava girando em torno do pop-rock, com algumas variações para mais pop ou mais rock, mas estava nesse universo. E, olha só, aproveitando um dia relativamente calmo no trabalho, pude dar um pulo no palco Sunset onde ouvi um pouco do show de Cidadão Instigado e Júpiter Maçã. Estava bem vazio, com uma grande cara de “público de banda underground”. À princípio achei que fosse porque era cedo, mas este dia foi realmente menos movimentado por lá. Até quando Arnaldo e Erasmo tocaram, encerrando as atrações do Sunset, não estava tão cheio quanto o dia de Joss Stone ou Sepultura, por exemplo, (é claro, né, mas tudo bem). Ainda assim, foi um belo show de encerramento.

No palco Mundo, Frejat abriu a noite. O repertório dele foi muito bom! Não faltaram hits do Barão como, por exemplo, Exagerado, Bette Balança e Puro Êxtase. O som estava tecnicamente bom também, mas em um aspecto, ele me lembrou Lenny Kravitz: a falta de comunicação com o público. Frejat deu o recado muito bem, como sempre, mas manteve distância e isso eu não sei se é o comum dele. Enfim, foi um bom show mesmo assim. Skank veio a seguir. Eles sim estavam com “a corda toda”. Também abusaram dos hits, que eles têm de sobra, como o obrigatório Jackie Tequila (até hoje, não vi ou soube um show que não a tocassem). Filmaram o público, interagiram, conduziram a, também já clássica, cena das pessoas girando as camisas. Não desmerecendo Frejat, mas o Skank pegou a deixa dele e continuou evoluindo os ânimos da galera. Foi realmente bom!

Maná veio a seguir e ouvi muita gente falando que esperava mais. Eu não sei o que esperaria deles, porque nunca soube de um show que tivesse sido espetacular e sempre ouvi material gravado. Confesso que, embora admire a química da banda, não curto o estilo. De qualquer forma, o público, embora tenha dado uma esfriada, continuou ali, continuou presente. Depois disso, os ânimos voltaram a agitar com o Maroon 5. Ele mandou muito bem no quesito de comunicação com as pessoas. É mais uma banda que eu não curto, mas admito que prendeu a atenção das pessoas direitinho. Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que não foram apenas a banda que preparou para a chegada da grande atração, que neste dia foi o Coldplay.

E o Coldplay, por sua vez, parecia não estar preocupado com esse título, porque o show deles não teve grandes efeitos e coisas do tipo. Contudo, tocaram seus hits, como Viva La Vida e Clocks, por exemplo. Gosto de Yellow e Paradise também, mas estas eles tocaram ainda no início do show. Quando eles chegaram o público já estava dominado e estavam dispostos a ouvir o que eles tinham a apresentar. E, como não fizeram feio (muito pelo contrário), o sucesso foi inegável, mesmo com a cena pra lá de piegas de pichar o nome “Rio” (inclusive trocando o “o” por um coração. Putz). Na verdade, Maroon 5 e Coldplay foram bem bandas sustentadas pelos agitos da tietagem feminina (que normalmente tem outros motivos que não a música), mas musicalmente, estavam bons também. Colocando na balança, foi um dia bastante legal!

Momento legal do dia: Vou ser nacionalista, mas foi o show do Skank. Para mim, além disso, o barato foi ter ouvido Júpiter Maçã cantando Lugar do Caralho (na verdade nessa hora eu não vi, o que foi uma pena, mas ouvi). Aspecto bom do dia: Novamente, não ter tido um show ruim. Amanhã, os pareceres do último dia.

Valeu!



terça-feira, 11 de outubro de 2011

Rock in Rio: 5º dia – a arma pop


Shakira, a última artista a se apresentar no Palco Mundo, dia 30/09

Dia 30 de Setembro. Mais um dia de mistura de estilos na Cidade do Rock, mas dessa vez, os representantes de cada um não deixariam a peteca cair... dentro do possível. E neste dia, inclusive, até no palco Sunset a mistura foi grande. Colocaram no mesmo palco Martinho da Vila, Cidade Negra, Pepeu Gomes e Emicida. Foi um dia que eu não me importei tanto de estar tão longe do Sunset, muito embora eu sempre tenha curiosidade de assistir à Cidade Negra. 

Bom, vamos ao palco Mundo: o responsável por abrir a noite de shows foi Marcelo D2. Eu até então só conhecia o show dele enquanto Planet Hemp; carreira solo, só via TV e Youtube mesmo. Eu tinha a impressão que ele agitava bastante, mas não tinha a exata noção do quanto. Ele parece espalhar “suco gummy” (lembra disso?) para as pessoas, porque o show é realmente empolgante! Um bom começo de circuito! Jota Quest veio a seguir e, acredito eu, manteve o ritmo. Eu confesso que já não curto tanto a levada deles como antigamente, mas não são ruins, não. Fazem o que se propõe e é isso.

Marcelo D2 (Foto: Portal Mariana)
Mais uma vez, a exemplo da sexta anterior (dia 23) o axé deu as caras. Só que dessa vez, não vestiu a roupa de “peixe fora d’água” como Claudia Leite fez. Ivete Sangalo, talvez sabendo que, tecnicamente, não deveria estar ali, preparou um grande show, fez o que sabe fazer de melhor: se comunicar com o público, abusou dos hits e, em nome de conquistar o seu espaço na Cidade do Rock, dominou o público e criou a “pausa para o Carnaval” no meio do Rock in Rio... sem dar espaço para ninguém colocar defeito. Não sou fã de axé, não concordo com artistas de axé num evento que deveria ser dedicado a Rock, mas sendo justo, foi um belo show. E convenhamos que ela é pop há muito tempo. Não em estilo, mas em carisma com o povo. 

Lenny Kravitz veio a seguir. Eu acho a banda dele ótima, o som é tecnicamente perfeito. A voz dele é admirável... mas falta algo. Fui a um show dele há algum tempo e me decepcionei pela falta de calor; julguei que talvez ele estivesse em um dia (ou fase) ruim. Depois desse show, vi que o estilo dele é esse mesmo. O show é meio “gelado”, embora o som seja ótimo. E como todo cantor tem espaço para ter fãs, era possível ouvir um coro cantando todas as suas músicas, embora tenha dado uma esfriada no “pique” da galera. Tal qual falei do Jota Quest, falo do Lenny (guardadas as devidas proporções): nem bom, nem ruim; simplesmente, Lenny.

Lenny Kravitz (Foto: Cartola Mágica)
Shakira teve o papel de ser a estrela da noite. Foi mais uma, tal qual Marcelo D2, que eu sabia que o show era de boa qualidade, mas não tinha noção do quanto. Ela estava sendo aguardada demais para decepcionar... e não o fez. Shakira tem a justa medida de ser performática e usar de improvisos e naturalidade ao mesmo tempo. Se esse aspecto faltou em Katy Perry, por exemplo, em Shakira, transbordou. Houve espaço para tudo: alegria, molecagem, sensualidade, drama... arte. Houve participação especial de Ivete, em momento de clímax do show, e tudo pareceu correr perfeitamente. Foi um bom encerramento, e se a noite não foi perfeita, encerrou no momento de “alta”. 

Esse dia tinha tudo para ser mais ou menos, tamanha a mistura de estilos feita, mas os artistas para este dia foram muito bem escolhidos. Excelentes ou lineares, todos foram muito seguros em seu papel artístico. O suficiente para manter a situação sob controle e afastar um fiasco. Momento(s) legal(is) do dia: o início (D2) e o fim (Shakira). Aspecto bom: não ter tido um show ruim em si. Amanhã, então, comentários do penúltimo dia do evento

Até lá!



domingo, 9 de outubro de 2011

Rock in Rio: 4º dia – o recomeço


Stevie Wonder (Foto: blog Moda para Homens)

29 de Setembro. Após uma pausa durante a semana, o Rock in Rio retornou na quinta-feira. Na verdade, deveria ter sido só na sexta-feira, mas fizeram mais um dia; tanto que os ingressos dessa quinta foram anunciados como “ingresso para o dia extra”. Bem, de qualquer forma, a retomada do evento ficou realmente com cara de “começar de novo”. Se colocar na balança, o dia foi bom, mas nem tudo foram flores. Vamos lá. 

No palco Sunset, o que valeu a pena mesmo foi Joss Stone, que eu não sei porque diabos não teve sua apresentação no palco Mundo, mas tudo bem. Ela encerrou o evento lá para que, então, o palco Mundo começasse com um grande tributo à Renato Russo, com a Legião Urbana (Dado e Bonfá), a Orquestra Sinfônica e diversos convidados. Tinha tudo para ser um showzinho mais do mesmo, supermorno, mas é incrível a força que Renato tem até hoje com as pessoas. Foi uma tremenda energia que rolou naquele público e não houve uma pessoa que não cantasse os sucessos da Legião naquele momento. Dentre os convidados que cantaram, destaque para Dinho, do Capital Inicial, que mandou muito bem, e Toni Platão, que a meu ver, foi o melhor de todos. Deram um show de interpretação! Herbert Vianna também esteve por lá, mas numa interpretação bem mais tímida e comedida do que os outros. Rogerio, Jota Quest, ficou mais tempo do que merecia com o microfone, mas não fez feio. Agora, a Pitty... putz... foi muito aquém do que os outros. Eu gosto dela, mas seu poder de voz não é um destaque e ela pegou justamente uma das músicas mais difíceis de cantar da Legião Urbana, que é Indios. Ficou realmente feio. Mas tudo bem, Dinho entrou depois dela e recuperou o gás da galera.

Legião e convidados (Foto: Circuito Matro Grosso)
Janelle Monáe veio em seguida. Ela ficou famosa por abrir o show da finada Amy Winehouse, mas não é exatamente uma grande artista internacional... ainda. Ela tem potencial, canta bem e fez um show legal, embora sua atitude de palco ainda seja estranha... meio, sei lá, imatura talvez. Se ela é a aposta para virar a próxima “pop” da parada, eu digo que poder para ser, ela tem. Kesha foi o próximo show e acho que posso falar, sem medo de errar, que foi uma das piores apresentações do Rock in Rio 2011. Foi tétrico. Suas músicas são ruins, sua atitude de palco é menos do que adolescente, é totalmente artificial. A postura de Kesha parecia querer forçar uma rebeldia que não é dela, um estilo que não é dela... o que foi aquela cena dela quebrando a guitarra?? Meu Deus... não dá! Pulo.

Janelle Monáe (Foto: Felipe Hidvegi / Estácio)
Jamiroquai veio depois. Este eu achei que seria um grande show, mas foi uma desilusão semelhante a de Rihanna. Eu esperava um show super alto astral, agitado, uma discoteca ao ar livre... mas a verdade é que a banda não conseguiu entrar na alma do público que ali estava e o show foi bem menos empolgante do que deveria. A apresentação visual da banda estava um exagero só, até para os padrões de Jason Kay. Realmente não entendi o que aconteceu. Graças aos céus, Stevie Wonder era a atração de encerramento e veio para salvar a noite. E o fez com maestria! Se os dois shows anteriores tinham deixado má impressão do 4º dia de Rock in Rio, Stevie conseguiu apagar isso da mente das pessoas no primeiro momento em que abriu a boca. Ele dominou o público do início ao fim do show em uma simpatia quase imbatível! O setlist dele foi um dos melhores do evento, mais bem montado, mais bem planejado... fantástico. Foi o rei absoluto da noite! Sem defeitos. E, claro, é com ele que encerro esse post, não exatamente com a música mais empolgante, mas foi um momento bem marcante do show. Nem preciso dizer que este show foi o momento legal do dia, né?

Salve, Stevie Wonder!



Rock in Rio: 3º dia – o estouro


James Hetfield, Metallica (Foto: blog Garota Enxaqueca)

25 de Setembro. A brincadeira tinha acabado. Era hora do Rock tomar conta da Cidade do Rock e honrar o seu nome. Este foi o chamado dia do metal. O dia em que ambos os palcos, Mundo e Sunset, foram dominados por heavy metal e a linha punk rock. Falando honestamente, é sabido pela maioria, que eu não sou fã desse gênero; esperava um dia pesado, com um clima de underground forçado, mas admito que me surpreendi em todos os aspectos. O público, sim, estava estereotipado de punk e afins, mas não havia o menor clima de “modinha rock” lá. Ao contrário, eram fãs de fato que estavam entrando na Cidade do Rock naquele dia. Eram tribos do rock dominando a cidade. Visto do alto, como foi transmitido via TV, era um mar preto de gente tomando conta do lugar (nem em enterro se vê tanta gente vestindo preto ao mesmo tempo). E tudo isso anunciava: aquele lugar iria incendiar!

Somente que a banda escolhida para abrir o show, no Palco Mundo, não foi uma boa opção. Gloria não tinha o espírito heavy metal e mais parecia um NX Zero, um Hori, tentando fazer metal. Pelo visto, não foi só opinião minha, de crítico chato, não. Eles realmente foram vaiados no palco. O outro palco, o Sunset, tinha acabado de encerrar com uma sequência excelente de encerramento: Angra e, em seguida, Sepultura, que foi um dos shows mais acessados pela internet, diga-se de passagem. Transmissão ao vivo rolando na internet e um mundo de gente assistindo. Para quem gosta, foi realmente, um ótimo show! E aí, com todo o gás possível, o público vai ao palco Mundo para continuar o clima e encontra... Gloria, em uma performance que deixou muito a desejar.

Claudio Sanchez, Coheed and Cambria (Foto: SL Revista Eletrônica)
Se isso foi ruim, serviu para que o Coheed and Cambria subisse ao palco com força total e ganhasse um destaque, talvez, maior do que seria de fato. E daí para frente nada mais estragou aquela noite. A faísca que o Coheed acendeu foi muito bem seguida pelo Motorhead, que eu achava que seria um dos melhores shows da noite. Não por falta de talento, porque foi ótimo, mas o que veria a seguir entraria para a história do Rock in Rio... pelo menos dessa edição. Slipknot estava pronto para virar a Cidade do Rock de cabeça para baixo. Eu não sei até onde eles estavam sendo aguardados, mas para mim, que nunca simpatizei muito com o estilo deles, foi a grande surpresa da noite. Eles conseguiram dominar o público completamente e, mesmo falando unicamente em inglês (tem bandas que tentam falar alguma coisa em português para ganhar simpatia) todo mundo estava em sintonia com a banda e fez exatamente o que ela queria. Houve uma cena em que o vocalista mandou todos se abaixarem para depois, então, pularem... aquilo foi incrível! Em forma de texto aqui, não parece, mas tentem assistir isso na TV ou internet e saberão do que falo. Outra cena: um deles (eu não sei exatamente quem) se jogou na platéia durante a música Duality! Isso ganhou o público totalmente que, quando acharam que tinha acabado, a tão comentada cena do baterista que girou 90º no ar, tocando bateria, terminou de deixar as pessoas extasiadas!

Slipknot (Foto: blog Garota Enxaqueca)
Com essa despedida, entrava em cena a grande atração da noite: Metallica. Eles demoraram um pouco a se sintonizar com o público porque James Hetfield, o vocalista e guitarrista, foi se comunicando bem aos poucos com as pessoas. Lá para um quarto do show, eu diria, ele já tinha, enfim, criado um link com as pessoas. Mas até lá, claro, o show já estava fenomenal porque suas músicas estavam na cabeça dos fãs. Era uma banda clássica que estava tocando ali. Era uma onda nostálgica de metal acontecendo. Como sempre, abusando de pirotecnia (piro mesmo, aquelas rajadas de fogo que o Metallica normalmente usa), o setlist do Metallica não dava margens a reclamação. Aliás, tenho só uma: eles deixaram Unforgiven de fora, uma das minhas favoritas. Por outro lado, quase no final, tocaram a clássica Enter Sadman, que abriu portas para o bizz deles.

Foi um grande show, mas não há como dar o reinado do dia para o Metallica, porque o Slipknot foi a grande surpresa da noite! Se não fosse o Metallica, fosse outra banda um pouco menor, teria sido facilmente ofuscada pelos mascarados do metal. Pedindo licença ao Metallica, é com Surfacing (a música onde ocorre a cena da bateria) de Slipknot que encerro este post.

Já, já tem mais! Até!