quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Da inspiração, seu excesso e sua falta

(Foto: blog Verso & Prosa)


Sabe aquelas coisas que são tão corriqueiras a ponto de não nos despertarem a curiosidade de como surgem, de onde vêm, de que são feitas? Pois devo dizer que a música é uma delas. Se você acha que reflete sobre a música só porque parou para entender a letra, se identificou ou ela te sensibilizou, saiba que há mais por trás disso.

O primeiro elemento da música, não consigo pensar diferente, é a inspiração. É onde tudo começa. Muitas vezes ouço músicas belíssimas e me pego perguntando: “Puxa, de onde esse cara tirou essa idéia?”. Claro que isso não é tudo para que a música seja boa, mas, como disse, é o primeiro passo. E, vale lembrar, estou falando das músicas sinceras que, garanto, são as melhores que já ouvimos.

Temos músicas que falam sobre tudo! Desde metafísica, até poemas, até o dia-a-dia. Se podemos falar de tudo, porque os músicos não estão compondo a todo o momento? Porque de nada adianta ter assunto a falar se a inspiração não fermenta a forma de expressão. Querem um exemplo? Ouça “Formato Mínimo”, do Skank. É uma das músicas com assunto mais mundano que conheço... e ao mesmo tempo, uma das mais poéticas letras que já ouvi. Não há como negar que a inspiração foi fundamental para que a música nascesse daquela forma e, sem ela, talvez fosse só uma música qualquer, sem destaque, sem brilho, sem alma.

Já observei o excesso da inspiração, por exemplo, em momentos finais do saudoso Cazuza, quando promoveu a avalanche de produção musical, claro, já ciente que seriam suas últimas obras. Foi um grande trabalho, mas o problema desse excesso é que as músicas ficam muito parecidas, afinal, são meio que da mesma onda de inspiração. E o que seria do músico na falta de inspiração? É uma das coisas mais angustiantes que pode acontecer. Nem vou entrar no mérito daqueles que têm contrato a cumprir, porque é outra história, mas a inspiração, dramática por natureza, causa o sentimento de solidão na sua ausência e, mais que isso, deixa a incerteza se vai voltar ou não. E volta, triunfalmente. São como ondas do mar. Cedo ou tarde volta.

É esquisito falar de algo tão abstrato e pessoal, mas o que me motivou a refletir sobre a inspiração foi justamente a percepção de que estava em um momento de ausência dela. Como seria escrever sem inspiração? Qual seria o resultado disso? Essas eu vou deixar para vocês responderem.

Inspiração, emoção, motivação. Boa semana a todos nós!


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